terça-feira, 10 de dezembro de 2013

CANTIGA PROSADA


Jádison Coelho9 de dezembro de 2013 19:37
CANTIGA PROSADA I

(Jádison Coelho)

Venha cá, minha siôra e meu sinhô que
Cruz e credo é de rezar.
Eu que num tenho um só partido
Das andança hei de contar.
Vi estrela cruzar o céu
Rotejando areia seca, vento e ar.
Os rei de toda a terra, meus sinhor,
Hão ao menino se curvar.

Venha de lá,
Vem meus pastores e pastorinha
De laço com o Terno de Reis as cantiga cantar.
Reza a missa que num dia
Gabriel anunciou a glória que gosto de até hoje me alembrar:
Em Belém Nossa Sinhora, que Virge Maria,
À luz deu o fío natalino, meu chará.
E na sunção da benção do menino,
Que só de boa sorte sei eu prosar,
Chegaram a ele de cabo a rabo:
Oiro, mirra e incenso perfumado.

Desde então, profano são, Reisado,
Deixo o gibão pra na Bandeira me embalar.
No nobre leito de cada pequeno vilarejo,
Na cama de um congado
E na manjedoura donde nascera um cangaceiro
A bandeira há de deitar.
Beijem ela, meus sinhor, bêjéla:
A Bandeira que é do Rei,
Que minha mainha, devota,
Num se cansou de rezar.

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